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Produtividade agrícola

O crescimento da população mundial, que aumentará mais de três bilhões de pessoas nos próximos 40 anos (além da inclusão social de quase um milhão de famintos), exige ampliação dramática da produção de alimentos. A pressão pela produção ambiental, associada aos efeitos negativos das Mudanças Climáticas Globais, impôs crescimento acelerado da produtividade, em contraposição à expansão de área. Considere-se o agravante de que a agricultura será cada vez mais pressionada para produzir – além de alimentos – energia, plantas ornamentais e medicinais, insumos para indústria química, madeira, entre outros. A celeridade e a intensidade exigidas do processo não permitem atitude de laissez faires, deixando ao sabor das pressões de mercado as mudanças necessárias, tornando-se imperiosas políticas públicas que impulsionem o agronegócio no rumo correto.

Pano de fundo

A população mundial é estimada em 6.864.607.631 de pessoas (5/5/09). As projeções do U.S Census Bureau – que coincidem com as da FAO e do Banco Mundial – indicam que, em 2030, a população deverá atingir 8,7 bilhões de pessoas e próximo a dez bilhões em 2050. A taxa atual de crescimento populacional tem ocorrido nos países pobres e mais afetados pela fome, pois nos países ricos a população se encontra estabilizada ou com o crescimento negativo.

A ONU estima que, em 2008, aproximadamente 963 milhões de pessoas (11% da população do planeta) sofriam sérias restrições alimentares, estando esta população especialmente concentrada em países pobres. A sociedade global não mais aceita esta iniqüidade e exige soluções já no médio prazo. Postos estes elementos, deve-se pensar em formas de oferta de produtos agrícolas para atender às duas principais vertentes da demanda alimentar (crescimento populacional e inserção social), que devem ser consentâneas com os requisitos de qualidade e inocuidade, sobre base dinâmica de mudança de hábitos alimentares, rumo à maior demanda de proteínas animais, frutas e hortaliças, e também de outros produtos da agropecuária.

De acordo com a FAO a agropecuária ocupa 1.5 bilhão de hectares, 70% dos quais devotados à pecuária. Embora os estudos da FAO indiquem disponibilidade de área de terra arável para expansão equivalente à que está sendo cultivada, diversas restrições devem ser colocadas, como: a) as terras mais férteis, de topografia mais adequada e melhor localizada, já foram ocupadas; b) porção considerável da área de expansão encontra-se na África, com severas restrições para sua incorporação em larga escala ao sistema produtivo, nos próximos 30 anos; d) a sociedade mundial pressiona por políticas ambientalistas cada vez mais rígidas, o que deve se intensificar em função dos impactos das Mudanças Climáticas Globais.

Na sociedade primitiva, extrativista, baseada na caça e coleta, eram necessários 20ha- 100ha para alimentar uma pessoa, enquanto nos primórdios da agricultura (corte e queima) esta demanda foi reduzida em 90%. Os primeiros agricultores que utilizaram várzeas necessitavam entre 0,5ha- 1,5ha para alimentar um indivíduo. Atualmente, são necessários 0,22ha para alimentar cada uma das 6,7 bilhões de pessoas, e, nas áreas de mais alta tecnologia é possível alimentar uma pessoa com apenas 0,1ha.

O futuro

Projetando-se o longo prazo (2050), estima-se que haverá necessidade de expandir a produção mundial de alimentos em mais de 60%, porém, dificilmente, será possível incorporar, especificamente para a produção de alimentos, mais de 20% da área atual (cerca de 300 milhões de hectares), considerando que, paralelamente, também haverá pressão para aumento da área para outros produtos agrícolas. Neste caso, haverá necessidade de ganhos de produtividade superiores a 33%, o que exige ações imediatas para evitar conseqüências alternativas, que seriam a oferta de alimentos inferior à demanda ou os impactos ambientais indesejáveis do avanço da fronteira agrícola. O Brasil, pelas suas vantagens comparativas e pela expectativa de que venha a ser o grande provedor de alimentos do mundo, deverá elevar sua produtividade já é muito acima da estimativa de 33%, para compensar ganhos menores em áreas onde a produtividade já é muito alta ou onde esse incremento será menor.

É com este pano de fundo que o Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb), composto por profissionais de diferentes áreas. Enlaçados pelo objetivo comum de incentivar a expansão da produtividade dessa cultura no Brasil, lança seu programa no dia 20 de maio, em Goiânia, durante o Congresso Brasileiro de Soja, que tem como meta final auxiliar o sojicultor brasileiro a atingir a produtividade média de quarto mil kg/ha. As ações que compõem o programa estão disponíveis no site do Cesb para consulta e para adesão de todos os produtores interessados.