Produtividade – Rei da Soja quer mais
Jornal de Brasília – Brasília 19.02.10
Com 173,3 sacas por hectare, Kip Cullers pretende superar sua própria marca
Poucos produtores rurais ficariam desapontados por colher 131 sacas de soja por hectare de soja, mas o agricultor norte-americano Kip Cullers, da K & K Farms, em Joplin, no estado de Missouri, não está feliz com esse desempenho. Isso porque ele não é um agricultor qualquer. Conhecido mundialmente como Rei da Soja, Cullers já bateu o recorde mundial da produção de soja em uma área destinada a concurso, na categoria irrigada, que atingiu uma média de 173,3 sc/hectare.
Na semana passada, ele esteve no Brasil e visitou, entre outras localidades, o Distrito Federal. O norte-americano veio ao Brasil apresentar as tecnologias utilizadas por ele. Cullers também já registrou produtividade de 173 sacas de milho por hectare, enquanto a média brasileira é de 60 sacas, segundo a Pioneer Sementes, que trouxe o produtor norte-americano ao Brasil.
O agricultor diz que seu segredo de sucesso são seus constantes experimentos. Segundo Cullers, a partir do conhecimento adquirido com experiências em suas terras, ele conseguiu aperfeiçoar e multiplicar sua produção de soja.
Sem Subsídio
Apesar de um estudo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgar que indica um aumento da pressão protecionista nos países emergentes, o nível de subsídios agrícolas nas oito nações pesquisadas continua muito inferior ao dos países ricos.
Podendo ser facilmente conseguida, o subsídio governamental foi dispensada pelo Rei da Soja. Ele diz que nasceu e cresceu no campo e, portanto, não acha necessário que o governo auxilie em uma tarefa na qual tem bom desempenho.
Salientando o clima agradável do Brasil, Cullers afirma que os agricultores brasileiros levam uma vantagem sobre ele, pois no Brasil existe a possibilidade de se plantar soja durante o ano inteiro, já que por aqui o frio não atrapalha o cultivo de grãos em nenhum período.
Recordista de produtividade também na produção de milho, há dez anos, o agricultor não se contenta com sua atual produtividade. “Sonho com a marca de 500 bushels de milho por acre, mas também quero alcançar a marca de 200 bushels de soja por acre", revela Cullers.
"Eu trato a soja como uma boa lavoura. Não penso na soja como uma passagem. Esse é um erro que a maioria dos meus colegas comete”, afirma o norte-americano, em tom brincalhão, quando fala sobre seus recordes de produtividade e seu método de cultivo de grãos.
Apesar de adotar espaçamento diferenciado entre as linhas de plantio, Kip Cullers diz que foi no Brasil que ele aprendeu a fazer adubações na soja por meio de pulverizações durante seu ciclo devegetativo. “Obter rendimentos médios de 115,4 a 117,6 sacas por hectare em plantações comerciais de soja em áreas acima de 40 hectares é quase tão gratificante quanto bater um recorde mundial nas áreas destinadas ao concurso". Assegura Cullers.
Testes para Aprimorar
"Escolher as variedades mais adequada para cada área é extremamente importante para obter bons rendimentos, mas o maior ganho que tenho é transferir as tecnologias para minhas áreas comerciais a partir do aprendizado das áreas do concurso", assegura o Rei da Soja ao tratar de suas experiências recordistas nas áreas de competição.
"Assim, estamos agora gerenciando nossa soja fora do concurso de uma maneira muito semelhante à maneira com que gerenciamos os cultivos dentro do concurso. E ela está rendendo muito melhor", assegura Kip Cullers.
Tratamentos de sementes e uso correto de fungicidas e inseticidas ajudaram a manter a produtividade dos grãos, tanto dentro quanto fora do concurso, ressalta o agricultor.
Após tecer elogios ao Brasil, Cullers foi questionado sobre a possibilidade de morar no Brasil, ele logo se esquivou, mas justificou: “eu sou bom em produzir soja no meu país. Se viesse morar no Brasil, demoraria cerca de dez anos para ter uma produção excelente. Nem consigo calcular quanto tempo levaria para bater algum recorde aqui".
Consumidor das sementes da Pioneer, Cullers afirma que só fez essa parceria porque, para ele, a empresa possui as melhores sementes. “Apesar de estar firme com eles, não deixo de testar outras marcas e verificar a qualidade das sementes. Testar é aprimorar”, garante o Rei, que entende muito bem do que faz.