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Desafio nacional vai premiar produtividade das lavouras

Gazeta do Povo – Curitiba 04.08.09

 

Exigências vão aumentando a cada ano. Objetivo é estimular a produtividade, rentabilidade e sustentabilidade econômica e ambiental da produção de soja no Brasil.

 

O Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB) vai premiar os agricultores que colherem a maior média de soja por hectare na safra 2009/10. Podem participar do Desafio Nacional de Máxima produtividade de Soja produtores de todo o país. O objetivo é estimular uso de tecnologia adequada, que aumente a produtividade e a rentabilidade da lavoura.

 

Os participantes podem se inscrever em duas categorias: área irrigada e não-irrigada. A primeira premiará dois produtores e a segunda, três por região - Sul, Sudeste, Centro-oeste e Norte/Nordeste. Os 14 vencedores ganham uma viagem técnica aos Estados Unidos com duração de uma semana para conviver com agricultores de lá e conhecer as técnicas que eles usam. Além disso, o responsável pela propriedade mais produtiva receberá menção especial na cerimônia de premiação.

 

As inscrições custam R$ 100 e podem ser feitas até 15 de dezembro de 2009 pelo site do CESB (www.cesbrasil.org). os sojicultores devem informar as características de sua propriedade, as técnicas empregadas e o nome do técnico supervisor. No fim, eles apresentarão um relatório final sobre a produtividade, que será acompanhada durante a colheita pelo agrônomo responsável e por outro ligado ao CESB.

 

O concurso faz parte de um programa que tem quatro fases. “A proposta é fazer uma desafio por ano e ir aumentando o número de exigências incrementando a dificuldade”, conta Eltje Jan Loman Filho, diretor presidente do CESB. Edeon Vaz Ferreira, diretor financeiro da Aprosoja e membro do CESB, detalha que, nesta primeira edição, apenas a produtividade vai ser considerada. A próxima já vai exigir o emprego de práticas sustentáveis, a seguinte acrescenta os aspectos sociais, como a correção dos contratos de trabalho, e a última também agrega a rentabilidade.

 

O lançamento do Desafio tem duas principais motivações: disseminar a cultura da soja e beneficiar o produtor economicamente. “Queremos tirar do imaginário popular a idéia de que a soja pressiona a derrubada da floresta amazônica. Se o agricultor consegue produzir mais em sua propriedade, não tem porque abrir outras áreas, o que envolveria muito mais gastos para ele”, diz Décio Gazzoni, membro do CESB que trabalha na Embrapa Soja.

 

TECNOLOGIA: Incentivo para fomentar cultivo e rendimento

 

O CESB é uma entidade sem fins lucrativos idealizada em 2007 por profissionais ligados á cultura da soja no Brasil e que foi lançada oficialmente em maio deste ano. Sua missão, que também se reflete no desafio, é formar uma rede de transferência de tecnologia, na qual os sojicultores que têm maior produtividade sem descuidar da sustentabilidade transmitam sua experiência para os demais. “O trabalho incentivado no desafio não se encerra em um ano, mas deve ser um aprendizado constante”, diz Décio Gazzoni.

 

Para o pesquisador, é fundamental incentivar o aumento de produtividade, porque a soja tem ampla procura no mercado internacional. “O Brasil é um dos poucos países no mundo que podem responder a essa demanda e deve fazer isso com sustentabilidade. Para dar saltos de produtividade é só fazer as coisas bem feitas, não implica em gasto de mais dinheiro”, defende.

 

No ano passo, já foi realizado um desafio piloto para conhecer o potencial de produtividade e sustentabilidade de soja no país. Neste ano, ciente de que existem sojicultores que obtêm mais de 4 mil quilos de soja por hectare, o CESB lança o primeiro desafio oficial a fim de disseminar o incremento do cultivo da soja.

 

ADESÃO

 

O CESB prevê que haja cerca de mil agricultores inscritos no desafio deste ano e que esse número dobre em 2010. “Com o número cada vez maior de participantes, acreditamos que a iniciativa vai incentivar mais pessoas a buscar melhorias em sua produção. É o aprendizado pelo exemplo”, diz Ferreira.

 

EXPEDIÇÃO: Rendimento no Paraná é maior que a média nacional

 

Com condições solo e clima privilegiadas, o Paraná tem produtividade acima da média nacional. Nos últimos 20 anos, a soja paranaense rendeu 8,7% mais que a média brasileira, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Foram 2,6 mil quilos de soja por hectare no estado, contra 2,3 mil na média nacional. Há três safras as equipes de técnicos e jornalistas da Expedição Safra RPC acompanham in loco esta realidade, percorrendo lavouras para estimar os números de área, produção e produtividade do estado. Conforme o histórico da Expedição, o rendimento médio das lavouras de soja do Paraná foi de 2,8 mil quilos por hectare. Na comparação com a média nacional apurada pelo Conab nos últimos três ciclos, de 2,75 mil quilos por hectare, há empate técnico. Isso porque a produção de paranaense foi severamente prejudicada pela seca na temporada 2008/09. No início do ciclo, a expectativa era de que o estado tivesse produtividade recorde, de 3,02 mil quilos por hectare, mas a estiagem dos meses de setembro e outubro derrubou em 16% a produtividade média estadual, que acabou fechando em 2,45 mil quilos, conforme balanço da Expedição. Nas temporadas anteriores, a soja paranaense rendeu 3 mil quilos em 2006/07, que teve clima perfeito, e 2,97 mil quilos em 2007/08, que também teve clima favorável.